Após 5 anos, Aung San Suu Kyi falou com o filho: Chamada durou 20 minutos

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                    Após 5 anos, Aung San Suu Kyi falou com o filho: Chamada durou 20 minutos
Após 5 anos, Aung San Suu Kyi falou com o filho: Chamada durou 20 minutos (Foto: Reprodução)

O Governo militar de Myanmar disse hoje que autorizou o contacto telefónico entre a líder política Aung San Suu Kyi, presa desde o golpe de 1 de fevereiro de 2021, e o filho mais novo, Kim Aris, por razões humanitárias.

 

O jornal Global New Light of Myanmar, controlado pelos militares, divulgou hoje um comunicado no qual o regime, presidido pelo general Min Aung Hlaing, mencionou o contacto telefónico de quinta-feira.

Tratou-se da primeira vez que a ex-conselheira de Estado falou ao telefone com o filho desde o golpe que derrubou o Governo democrático e intensificou o conflito armado no país.

O Governo referiu que o contacto telefónico foi viabilizado por razões humanitárias, "em conformidade com as normas e procedimentos" do Comité Internacional da Cruz Vermelha.

A chamada telefónica prolongou-se durante 20 minutos.

O comunicado governamental não especificou o local onde se encontra Aung San Suu Kyi, condenada a 18 anos de prisão por acusações de fraude eleitoral.

No dia 30 de abril, o Governo de Myanmar anunciou a transferência de Aung San Suu Kyi, 81 anos de idade, da prisão de Naypyidaw, capital administrativa do Myanmar, para uma "residência", sem especificar a localização.

Kim Aris, 49 anos, disse à agência de notícias espanhola EFE que atendeu a chamada na embaixada de Myanmar (antiga Birmânia) em Londres, acrescentando que o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico "ajudou a viabilizar" o contacto.

Aris afirmou que ouvir a voz da mãe ao fim de cinco anos significou mais do que "aquilo que se pode transmitir por palavras", sublinhando que a mãe continua "injustificadamente detida" e que deveria ser libertada imediatamente.

O filho de Aung San Suu Kyi pediu ainda que a comunicação com a mãe venha a ser estabelecida de forma regular e que a reclusa venha a ter acesso a cuidados médicos.

Paralelamente, a porta-voz do Governo militar, Khaing Khaing Soe, publicou nas redes sociais duas imagens atribuídas ao momento da chamada — três dias depois da divulgação de outras fotografias em que Aung San Suu Kyi é vista a conversar com funcionários governamentais.

A ligação telefónica ocorreu na mesma altura em que se verifica uma ofensiva diplomática do Governo militar para recuperar a "legitimidade internacional" e após a realização de eleições sem oposição real que levaram Min Aung Hlaing à Presidência do Myanmar.

Neste contexto, Aris declarou que a mãe não deve ser mantida como refém nem pode ser utilizada como "moeda de troca" para os militares obterem reconhecimento diplomático, a suspensão de sanções ou vantagens políticas.

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