China acusa Reino Unido de ingerência após relatório sobre Hong Kong

...


                    China acusa Reino Unido de ingerência após relatório sobre Hong Kong
China acusa Reino Unido de ingerência após relatório sobre Hong Kong (Foto: Reprodução)

A China acusou o Reino Unido de "grave ingerência" nos seus assuntos internos, após a publicação de um relatório britânico que denuncia a deterioração das liberdades em Hong Kong, e apresentou um protesto diplomático junto de Londres.

 

Em comunicado, a embaixada chinesa no Reino Unido rejeitou na quinta-feira as "declarações irresponsáveis" do Governo britânico e sustentou que a Declaração Conjunta Sino-Britânica de 1984, que estabeleceu as condições para a devolução de Hong Kong à China, em 1997, não confere a Londres qualquer direito de supervisionar os assuntos do território após a transferência de soberania.

Segundo Pequim, o enquadramento jurídico que rege atualmente Hong Kong assenta na Constituição chinesa e na Lei Básica da região administrativa especial, pelo que instou Londres a "abandonar a sua mentalidade colonial" e a deixar de publicar relatórios semestrais sobre o território.

A embaixada defendeu ainda que os direitos e liberdades dos residentes de Hong Kong estão protegidos pela lei e rejeitou qualquer intervenção estrangeira nos processos judiciais contra o empresário Jimmy Lai e antigos dirigentes da Aliança de Hong Kong, organização ligada às vigílias em memória das vítimas da repressão de Tiananmen, em 1989.

O relatório britânico, publicado na quinta-feira e relativo ao primeiro semestre de 2026, alerta para o "alargamento do âmbito e da aplicação" da legislação de segurança nacional em Hong Kong e para o seu "impacto crescente" sobre as liberdades de expressão, reunião, associação e imprensa.

Entre os acontecimentos destacados figura a condenação, em fevereiro, a 20 anos de prisão de Jimmy Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily e cidadão britânico, cuja "libertação imediata" é exigida por Londres.

O documento assinala também que as alterações legislativas aprovadas em março alargaram os poderes da polícia para exigir palavras-passe de dispositivos eletrónicos, restringir deslocações e confiscar bens no âmbito de investigações relacionadas com a segurança nacional.

O Reino Unido considera que a China continua a violar a Declaração Conjunta de 1984, que previa um elevado grau de autonomia para Hong Kong durante 50 anos após a transferência de soberania.

Pequim sustenta que o território beneficia de estabilidade ao abrigo do princípio "um país, dois sistemas", que rege a administração da antiga colónia britânica desde 1997.

Leia Também: Hong Kong investiga tratamento estético com pele de cadáveres