Conselho de Redação da Lusa critica falta de frontalidade da administração

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                    Conselho de Redação da Lusa critica falta de frontalidade da administração
Conselho de Redação da Lusa critica falta de frontalidade da administração (Foto: Reprodução)

Os membros eleitos do Conselho de Redação (CR) da Lusa acusaram o Conselho de Administração (CA) da agência de falta de frontalidade perante a audição parlamentar da Direção de Informação (DI) cessante, apontando omissões sobre contratos e ingerência editorial.

 

Num comunicado subscrito também pela Comissão de Trabalhadores, pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ) e pelo Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços (SITESE) e SITE, o CR criticou a atuação dos administradores Luís Ferreira Lopes, Ana Alves e Joaquim Carreira perante a audição da DI cessante, em particular o depoimento da antiga diretora Luísa Meireles, na quinta-feira na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

Segundo o CR, o CA manteve-se alheado das questões levantadas sobre alegadas irregularidades nos contratos dos correspondentes internacionais e não esclareceu as dúvidas relativas à contratação de uma jornalista para Bruxelas, que os Órgãos Representativos dos Trabalhadores (ORT) consideram uma tentativa de ingerência na esfera editorial.

Os representantes dos trabalhadores referem que a questão da contratação foi detalhada durante a audição, com referência a correspondência trocada entre a DI e o CA, mas sustentam que os administradores não reconheceram o erro que, na sua perspetiva, provocou um conflito em matéria de independência editorial.

Na audição parlamentar, Luísa Meireles afirmou ter recebido um email a indicar que "o CA tinha decidido contratar a jornalista X [para Bruxelas], pelo que estava disponível para receber uma proposta da DI para a contratação dessa jornalista".

Luísa Meireles acrescentou que a jornalista em causa é amiga de um dos administradores e tinha sido sua colega no anterior posto de trabalho, circunstância que, afirmou, "colocava a coisa um pouco desconfortável, até para a generalidade da redação".

No comunicado, os membros eleitos do CR consideram ainda que o CA tentou minimizar perante o parlamento o impacto da situação no clima de paz social da agência.

Os representantes dos trabalhadores recordam que o último plenário aprovou por unanimidade um voto de repúdio contra o CA e defendem que iniciativas estratégicas relacionadas com 'podcasts', exposições fotográficas ou conferências sobre modelos de negócio não respondem às questões fundamentais sobre autonomia editorial e o afastamento de uma DI.

O CR anunciou também que vai solicitar à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) um parecer sobre a nova minuta de acordo de deslocação enviada pela administração.

Segundo o comunicado, o CA justificou as alterações à minuta face a versões anteriores com a necessidade de "acomodar as conclusões do parecer emitido pela CCPJ e sugestões da DI e dos delegados".

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