Derrame de petróleo na costa dos Emirados gera risco de maré negra
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Os Emirados Árabes Unidos informaram hoje sobre uma fuga de hidrocarbonetos perto da sua costa, onde um petroleiro foi atacado há duas semanas, criando o risco de uma maré negra.
As autoridades "detetaram uma fuga proveniente de um navio-tanque, que atingiu as praias de Umm Al Quwain", um emirado a norte do Dubai, e estão em curso operações de "limpeza e descontaminação (...) para limitar os impactos ambientais", informou o Ministério das Alterações Climáticas e do Ambiente.
As praias do emirado foram encerradas enquanto se aguarda o resultado das "inspeções costeiras", acrescentou o ministério em comunicado, sem identificar a embarcação nem especificar a extensão da fuga.
O acesso à zona foi isolado pela polícia, constataram os jornalistas da AFP.
O emirado vizinho de Sharjah também fechou uma praia, a de Al Hamriyah, "como medida preventiva", informaram as autoridades locais.
Nos últimos dias, foram registados vários ataques a embarcações nas águas do Golfo, junto ao estreito de Ormuz, em pleno conflito desencadeado no final de fevereiro pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
Teerão reivindica o controlo desta passagem marítima e costuma atacar embarcações que transitam pelo local sem a sua autorização.
A ONG neerlandesa PAX disse à AFP que obteve imagens de satélite de 19 de outubro, que mostram uma mancha de hidrocarbonetos em redor de uma embarcação situada a cerca de 20 quilómetros da costa do emirado de Umm al-Quwain.
As imagens de radar de 21 de outubro revelaram ainda uma mancha "com cerca de 40 km de comprimento e uma área de 190 km²", cuja extremidade se encontra a apenas seis km da costa, segundo a mesma fonte.
Um navio-petroleiro com bandeira do Panamá, o GEM NO.2, foi atingido por um projétil na região no dia 09 de outubro, provocando um incêndio que foi posteriormente controlado, segundo as agências de segurança marítima.
Propriedade da empresa taiwanesa Global Energy Maritime, a embarcação tinha carregado 2 milhões de barris de petróleo no início de março, a partir de um porto saudita. Desde então, o navio realizava regularmente transferências de carga com outras embarcações ao longo das costas dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, perto do estreito de Ormuz, de acordo com dados de monitorização marítima da empresa Kpler.
As imagens não permitem afirmar se se trata de "petróleo bruto denso ou de uma fina camada de hidrocarbonetos leves", indicou Wim Zwijnenburg, investigador independente da PAX.
"Se for petróleo bruto, isso representa um grave risco de poluição, pois acabará por chegar às praias e afetar os ecossistemas marinhos", explicou.