'Exército de Lula' no WhatsApp envolvido em nova disputa judicial
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Um juiz do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu a eventual suspensão, por ordem de único magistrado - como já aconteceu anteriormente - do "Exército de Lula", um grupo no WhatsApp com mais de dez milhões de seguidores.
Na decisão, tomada na sexta-feira, Floriano Marques afirmou que qualquer medida individual "apresenta um grave vício de competência" e determinou que qualquer análise sobre este grupo de apoio ao atual Presidente deve passar pelo plenário do tribunal.
O magistrado tomou a decisão na sequência de um pedido da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, que temia um novo apagão digital, a dois dias da segunda volta das eleições presidenciais.
Na quinta-feira, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, deu à tecnológica norte-americana Meta, proprietária do WhatsApp, Instagram e Facebook, 24 horas para apresentar um relatório detalhado sobre a atividade do "Exército de Lula".
Tal como em ocasiões anteriores, Nunes Marques respondia a um recurso da campanha de Flávio, que insiste que o grupo influencia as pesquisas no Google e aconselha os seguidores a explorar, por exemplo, a frase "Bolsonaro ordenou matar Lula".
A busca alude ao plano posto em prática pelos aliados do Jair Bolsonaro, com conhecimento e aval do ex-Presidente (2019-2023), para assassinar Lula e outras autoridades após as eleições de 2022, nas quais o pai de Flávio foi derrotado pelo líder progressista.
Em 2025, Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil por tentativa de golpe de Estado a 27 anos de prisão, pena que cumpre em regime domiciliário por motivos de saúde.
A Meta garantiu, na sexta-feira, que o "Exército de Lula" "não viola" as políticas da empresa.
Nunes Marques, juiz nomeado durante o Governo de Jair Bolsonaro, chegou a suspender o canal a 11 de outubro, a pedido do Flávio Bolsonaro, sob a suspeita de disseminação de desinformação.
O responsável pelo "Exército de Lula" é André Janones, uma das figuras-chave na estratégia digital da campanha de Lula para a segunda volta e já eleito deputado por Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16 milhões de eleitores.
Neste espaço, distribui tarefas aos seguidores, como a divulgação coordenada de conteúdos favoráveis ao Governo e o impulsionamento de tendências, para contrariar o algoritmo das plataformas digitais e fazer frente à presença da oposição.
Na quinta-feira, Lula da Silva afirmou que a Meta terá de "parar de enganar a humanidade" e "adequar-se aos bons costumes e aos bons modos de que a sociedade precisa".
Horas antes, o Ministério Público Federal (MPF) do Brasil pediu à Justiça que obrigue a Meta a restaurar, no prazo máximo de 24 horas, as contas, páginas e publicações suspensas ou restringidas sem justificação durante o período eleitoral.