"Jesus tem emprego graças a CR7 e atirou-o para debaixo do autocarro"

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"Jesus tem emprego graças a CR7 e atirou-o para debaixo do autocarro" (Foto: Reprodução)

Benni McCarthy, nome incontornável da história do futebol sul-africano, concedeu, esta sexta-feira, uma extensa entrevista ao portal SportyTV, na qual apontou o dedo a Jorge Jesus pela maneira como geriu o processo que culminou com o abandono de Cristiano Ronaldo da principal seleção de Portugal.

 

"O novo treinador poderia ter feito as coisas melhor. Tem o emprego que tem graças ao Cristiano. Foi ele que o atestou. Depois, atirar o teu jogador mais icónico para debaixo do autocarro, daquela maneira...", começou por afirmar o antigo avançado, que representou o FC Porto em dois períodos distintos da carreira, somando 59 golos e dez assistências ao cabo de 125 jogos oficiais.

"Ouve, o Cristiano não é santo nenhum, isso é certo, mas penso que aquilo que ele fez e o quão viciados nos deixou a todos, colados à televisão, sempre que vestia aquela camisola do Real Madrid, quando vestia aquela camisola de Portugal... Penso que a última coisa que alguém deveria fazer seria manchar a sua reputação da maneira que ele a está a manchar", acrescentou.

Para o ex-jogador, atualmente, com 48 anos de idade, o madeirense "deveria sair de maneira melhor àquela que está a sair, neste momento, por tudo aquilo que fez, ao longo de todos aqueles anos", até porque, na sua opinião, fez mesmo por merecer o direito a ser considerado uma 'lenda' do futebol mundial.

"Ele foi, provavelmente, o maior jogador de futebol da minha geração que eu alguma vez vi, e eu cresci a conhecer e a ver vídeos de Pelé, vi a reta final da carreira de [Diego Armando] Maradona. Tivemos Romário, Ronaldinho... Tivemos todos estes jogadores, e, para mim, Cristiano Ronaldo é o jogador que eu coloco lá em cima, então, acho que merece sair de maneira melhor àquela como está a ser tratado por toda a gente", apontou.

"Vimos aquilo que está a acontecer, na Argentina, no mundo do futebol, como [Lionel] Messi é acarinhado e tudo isso. Sim, o futebol tem sempre de ter um vilão e um herói, e o Cristiano, infelizmente, é o vilão. Mas, mesmo sendo, o vilão, aquilo que fez pelo futebol, no geral, é superior à maneira como está a ser tratado, neste momento. Parece-me que é triste, mas vai sempre ser recordado como o maior jogador que eu alguma vez vi jogar, ao vivo", concluiu.

Reconciliação à vista entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus?

O 'inferno' de Cristiano Ronaldo, recorde-se, começou a desenhar-se no passado dia 30 de setembro, quando tomou a decisão de abandonar o estágio de Portugal, em plena fase de grupos da Liga das Nações, na véspera da vitória alcançada na deslocação ao Parken, sobre a Dinamarca, por 2-4, em desacordo com a maneira como foi gerido por Jorge Jesus.

Seguiu-se o tão badalado comunicado de cinco páginas, no qual pediu "desculpas aos portugueses" e expressou a vontade de continuar a representar a equipa das quinas, mas não poupou nas críticas tecidas ao selecionador nacional, com o qual disse ter alcançado uma "absoluta quebra de confiança".

O respetivo castigo foi tornado público, na segunda-feira, quando a Secção Não Profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) comunicou uma suspensão de 30 dias (e uma multa de 255 euros), que findará a 30 de outubro, ou seja, antes das duas últimas rondas da Liga das Nações.

Resta, agora, perceber se Jorge Jesus, que já garantiu não colocar qualquer objeção ao regresso de Cristiano Ronaldo, irá incluir o seu nome já na lista de convocados para os encontros com a Dinamarca (a 14 de novembro, no Estádio Municipal de Braga) e o País de Gales (três dias depois, no Cardiff City Stadium).

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