Macau: Operadoras de jogo investem 45% no novo fundo público

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                    Macau: Operadoras de jogo investem 45% no novo fundo público
Macau: Operadoras de jogo investem 45% no novo fundo público (Foto: Reprodução)

O Governo de Macau anunciou hoje que as seis concessionárias do jogo em Macau vão contribuir, em conjunto, com 45% de um novo fundo público de 20 mil milhões de patacas (2,2 mil milhões de euros).

 

O fundo arranca com uma participação de 11 mil milhões de patacas (1,22 mil milhões de euros) provenientes das reservas financeiras acumuladas do Governo de Macau e uma contribuição total de 9 mil milhões de patacas (994,7 milhões de euros) das seis concessionárias, que assumem a posição de primeiros investidores privados.

A gestão do fundo ficará a cargo da Sociedade de Investimento e Gestão de Macau, sendo os documentos constitutivos assinados hoje pelo presidente da empresa pública, Che Weng Keong, e representantes das seis concessionárias.

Segundo o Governo, o fundo funcionará ao abrigo da lei dos fundos de investimento e do regime de gestão dos fundos de orientação governamental, tendo três níveis, compostos por um fundo de orientação, fundos-mãe e sub-fundos, geridos por profissionais selecionados através de mecanismos de mercado.

Os recursos serão dirigidos prioritariamente para indústrias emergentes, modernização industrial, transformação de resultados de investigação científica e empresas tecnológicas em fase inicial, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento articulado entre Macau, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin (Ilha da Montanha) e a região da Grande Baía.

Na intervenção durante a cerimónia, a secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, classificou a diversificação adequada da economia como uma "tarefa imperativa" para Macau e defendeu que a industrialização avançada, a inovação tecnológica e a transferência de resultados científicos exigem investimentos "avultados e de longo prazo".

A governante afirmou que a criação do fundo segue "experiências de mercados vizinhos mais maduros" e visa mobilizar capital privado através de uma gestão orientada para o mercado, promovendo o desenvolvimento de indústrias emergentes e futuras.

Ng destacou ainda o papel das concessionárias na estratégia de diversificação económica do território, sublinhando que as empresas têm vindo a cumprir os compromissos de investimento em projetos não relacionados com o jogo previstos nos contratos de concessão.

Macau é a capital mundial do jogo e o único local na China onde o jogo em casino é legal. Operam no território seis concessionárias - MGM, Galaxy, Venetian, Melco, Wynn e SJM - com contratos até 2034.

As seis operadoras de jogo em Macau estão contratualmente comprometidas a investir mais de 130 mil milhões de patacas em elementos não relacionados com o jogo até 2032.

Segundo a secretária para a Economia e Finanças, a constituição do fundo resulta de negociações entre o Governo e as seis operadoras, refletindo a "cooperação entre ambas as partes e a confiança do setor empresarial no futuro desenvolvimento de Macau".

Em diferentes comunicados, as operadoras Sands China e a Wynn Macau confirmaram que vão contribuir para o fundo, a primeira com 2,3 mil milhões de patacas (245 milhões de euros) e a segunda com 1,3 mil milhões (143,6 mil milhões de euros), que serão contabilizados no cumprimento dos compromissos de investimento não associados ao jogo assumidos ao abrigo do contrato de concessão.

"A Sands comprometeu-se a investir pelo menos 35,84 mil milhões de patacas (3,96 mil milhões de euros) até ao final de 2032, dos quais cerca de 33,39 mil milhões de patacas (3,69 mil milhões de euros) deverão ser canalizados para projetos não relacionados com o jogo. A contribuição para o novo fundo governamental substituirá outros projetos e despesas inicialmente previstos no âmbito desse programa de investimentos", destacou a operadora.

Nos primeiros nove meses do ano, os casinos de Macau registaram receitas totais de 187,11 mil milhões de patacas (20,5 mil milhões de euros), um aumento de 3,2% em comparação com o mesmo período de 2025.

A reserva financeira de Macau valorizou-se em mais de quatro mil milhões de euros na primeira metade do ano e atingiu em junho um novo recorde máximo, pelo sétimo mês consecutivo: 704,3 mil milhões de patacas (75,3 mil milhões de euros).

Macau é a única jurisdição no mundo sem qualquer dívida pública externa e regista regularmente excedentes orçamentais (que são transferidos para uma reserva financeira), com a exceção do período entre 2020 e 2023, devido à pandemia de covid-19.

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