Mãe de bebé encontrado com vida em morgue quebra silêncio: "Inexplicável"
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A mãe de um bebé de 18 meses que foi encontrado com vida na morgue de um hospital no estado norte-americano do Arizona, cerca de cinco horas após ter sido dado como morto, quebrou o silêncio sobre o incidente, que aconteceu a 8 de fevereiro deste ano.
Alexus Fiordilino admitiu que julgou ter ouvido o filho a respirar no abraço de despedida, mas optou por acreditar no médico que lhe disse que se tratavam dos últimos suspiros de Vincent, que foi encontrado inconsciente na piscina da casa de família, e que qualquer tentativa de o salvar só prolongaria a sua dor.
"Como mãe, não se quer ouvir isso. Não queria que ele sofresse. Parecia que tinham feito tudo o que podiam", disse, em entrevista à afiliada da ABC News KNXV, na quarta-feira.
O médico Aryan Toosi declarou o óbito às 18h20 (hora local) do domingo em que se disputava a Super Bowl, no Centro Médico Mercy Gilbert, em Gilbert.
Volvidas cerca de cinco horas, quando Alexus e o marido, Angelo, estavam a ser interrogados pelas autoridades, um detetive informou-os de que um funcionário do Gabinete do Médico Legista do Condado de Maricopa que tinha vindo recolher o corpo de Vincent apercebeu-se de que o bebé ainda estava vivo.
"O meu marido e eu gritámos de alívio. Louvámos o Senhor. Chorámos. Passar de ouvir que ele tinha morrido para descobrir que não tinha é uma sensação inexplicável", confessou.
Alexus adiantou que Vincent "esteve sozinho durante cinco horas e meia". "Como é que se faz isso a um bebé?", questionou.
O menino sofreu uma "lesão cerebral grave e permanente" e tem apresentado "défices neurológicos significativos" desde que recebeu alta do hospital, em abril. De acordo com os advogados da família, Vincent não consegue andar sozinho e ainda não recuperou a fala.
Nessa linha, a família questionou o tratamento de Toosi e as suas ações ao declarar a morte da criança, alegando que as horas passadas na morgue contribuíram de forma mais significativa para as suas lesões do que o afogamento. Os pais pretendem, assim, interpor uma ação judicial na próxima semana.
Um advogado do profissional de saúde apontou que "os pensamentos do médico estão com o jovem doente e a família" e que o seu cliente "deseja que a criança continue a curar-se e a recuperar", segundo uma declaração enviada à ABC News, na quinta-feira.
"O seu empenho em prestar cuidados de alta qualidade sempre esteve enraizado no desejo de proporcionar cura, segurança e conforto à sua comunidade. Devido ao litígio pendente e às leis de privacidade do doente, não podemos abordar os detalhes dos cuidados prestados neste momento", complementou.
Já a entidade gestora do hospital, a Dignity Health, assinalou que "esta é uma situação comovente", mas que, "por respeito à privacidade do doente, não [podia] partilhar qualquer informação".
"Não nos é possível comentar sobre os envolvidos nos cuidados prestados ao doente. A segurança do doente e cuidados excecionais são as nossas maiores prioridades", disse.
Um porta-voz do Departamento de Polícia de Gilbert adiantou que a investigação sobre o incidente não revelou qualquer evidência de conduta criminosa por parte do pessoal médico e, por conseguinte, "não foram apresentadas acusações" contra os funcionários do hospital.
"Este caso está agora a ser encaminhado para a Procuradoria-Geral para análise", acrescentou o porta-voz, na quinta-feira.
De notar que, num primeiro momento, as autoridades tinham recomendado que os pais da criança fossem acusados de maus-tratos infantis por alegada negligência, mas a Procuradoria do Condado de Maricopa recusou seguir esse caminho.
A família tinha várias fechaduras de segurança para crianças e outras medidas em vigor. Além disso, vários adultos estavam em casa no momento do incidente e todos acreditavam que alguém estava a vigiar o bebé, de acordo com a procuradoria. A investigação não encontrou provas de que os pais apresentassem quaisquer sinais evidentes de incapacidade, pese embora ambos tenham admitido que consumiram marijuana naquela manhã.