Mais de metade da riqueza total líquida pertence aos 10% mais ricos
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As famílias com maior património detêm grande parte da riqueza líquida total, de acordo com um estudo publicado esta semana pelo Banco de Portugal (BdP).
"Entre 2010 e 2025, os 10% de famílias com maior riqueza concentravam 59% da riqueza líquida total, enquanto os 50% com menor riqueza líquida detinham 6%. Estes resultados evidenciam uma distribuição da riqueza que se manteve desigual e relativamente estável ao longo do período em análise", pode ler-se no comunicado divulgado pelo supervisor da banca.
O BdP explica que, "para analisar a distribuição da riqueza, as famílias são ordenadas pelo valor da sua riqueza líquida e divididas em três grupos: os 50% de famílias com menor riqueza líquida (abaixo da mediana), os 40% seguintes (entre a mediana e os 10% de famílias com maior riqueza líquida (“top 10%”)) e o top 10%".
Depois, a "mediana representa o valor da riqueza líquida que divide a população em duas metades com igual número de famílias: uma com riqueza inferior à mediana e outra com riqueza superior".
Riqueza líquida das famílias cresceu
A riqueza líquida das famílias portuguesas aumentou 67% entre 2010 e 2025, para 1.196 mil milhões de euros, sobretudo devido aos imóveis e ativos financeiros, mas manteve-se estável em percentagem do PIB, divulgou o BdP.
"Em 2025, a riqueza líquida das famílias ascendia a 1.196 mil milhões de euros, mais 480 mil milhões do que em 2010", aponta a análise do BdP sobre a evolução do património financeiro das famílias.
Contudo, e "apesar do aumento expressivo em termos nominais, a riqueza líquida das famílias evoluiu, em larga medida, em linha com a evolução da economia", acrescenta.
Assim, em 2025 a riqueza líquida das famílias – ou seja, o valor do seu património depois de deduzidas as dívidas - representava cerca de 390% do Produto Interno Bruto (PIB), menos dez pontos percentuais do que em 2010.
O valor mais elevado deste indicador foi registado em 2020, quando a riqueza líquida atingiu cerca de 433% do PIB, "refletindo sobretudo a redução da atividade económica durante a pandemia".
De acordo com o BdP, os imóveis residenciais continuaram a representar a maior parte do património das famílias, seguidos dos depósitos e das participações em capital, que ganharam peso ao longo deste período.
Entre 2010 e 2025, o valor dos imóveis aumentou quase 50%, passando de 473 para 708 mil milhões de euros, em linha com a evolução das contas nacionais, que servem de referência às estatísticas de distribuição da riqueza.
"Este aumento refletiu, sobretudo, a valorização dos imóveis ao longo do período", nota o BdP, precisando que "ainda assim, o seu peso nos ativos das famílias diminuiu de 54% para 52%, à medida que outras componentes do património ganharam importância relativa".
A seguir aos imóveis destacam-se as participações em capital (incluindo empresas familiares) e os depósitos, que em 2025 representavam, cada um, 19% do total dos ativos das famílias, comparativamente com 14% e 16%, respetivamente, em 2010.
Os depósitos continuavam, aliás, a ser a principal aplicação financeira, embora a composição dos ativos financeiros "se tenha tornado mais diversificada", indica o BdP.
Em 2025, a dívida das famílias continuava, sobretudo, associada ao crédito à habitação, cujos empréstimos representavam 77% do total dos passivos, contra 82% em 2010.
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