Manifestantes pela habitação não pernoitaram no Rossio e desmobilizaram
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A manifestação pelo direito à habitação na praça do Rossio, em Lisboa, terminou hoje pelas 00h30, sem incidentes, e os participantes estão a desmobilizar, com novo protesto marcado para o final da tarde em Marvila.
Os manifestantes reunidos em assembleia popular tinham aprovado, por maioria, não pernoitar hoje na rua, após cinco noites passadas na praça, a última delas ao relento.
No início da assembleia popular, a organização informou que a PSP tinha indicado que a "aconchada" podia continuar esta noite, desde que o protesto terminasse à meia-noite e meia e não fossem montadas tendas, o que foi respeitado.
Com forte aparto policial nas imediações da praça, mas quase sempre a acompanhar à distância, a manifestação decorreu de forma pacífica, numa lógica de partilha de ideias e debate, e sem incidentes.
Ao final da tarde de hoje, a Acampada em Lisboa pela habitação desloca-se para Marvila, para participar numa vigília contra o despejo de uma jovem mãe, viúva, de uma casa municipal, conforme aprovaram os manifestantes reunidos em assembleia popular.
A jovem viúva que foi despejada tem dois filhos menores, com 4 e 2 anos, vivia numa habitação municipal no Bairro do Condado, em Marvila, pagava as rendas e procurou regularizar o contrato de arrendamento, na sequência da morte dos dois titulares, o companheiro e pai das crianças e a avó deste, que morreram em 2024.
O final da assembleia foi marcado pela realização de um minuto de silêncio em conchinha pelo direito à habitação, um gesto simbólico que será repetido no final de todas as assembleias populares.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
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