Ministro israelita ordena demolição de edifícios após ataque em Hebron
...
O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, figura da extrema-direita e pilar do Governo de Benjamin Netanyahu, ordenou hoje a demolição "imediata" de edifícios palestinianos, após um ataque que provocou cinco feridos israelitas na Cisjordânia ocupada.
"Ordenei a demolição imediata de um grande número de construções árabes ilegais adjacentes ao local do ataque", ocorrido a norte de Hebron, a maior cidade da Cisjordânia, declarou Smotrich num comunicado na rede social X.
Smotrich defendeu o lançamento de uma campanha militar na Cisjordânia ocupada "como em Gaza", "para desmantelar a Autoridade Palestiniana, recolher armas e eliminar terroristas".
O exército israelita anunciou hoje ter iniciado "operações antiterroristas" na Cisjordânia ocupada, após o ataque armado que feriu cinco israelitas em Hebron, a poucos dias das eleições legislativas.
As autoridades israelitas confirmaram à agência de notícias AFP que os feridos eram todos israelitas na casa dos 20 anos, sem especificar se eram ou não soldados.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou hoje um bloqueio total na Cisjordânia ocupada, onde o Exército anunciou, na sequência, a realização destas operações antiterroristas.
Hoje pela manhã, dois atacantes abriram fogo sobre militares em Hebron, no sul da Cisjordânia, antes de serem mortos durante uma intensa troca de tiros, segundo observou um fotógrafo da AFP. O tiroteio durou cerca de 20 minutos, segundo a imprensa israelita.
O ataque acontece quando estão para ocorrer as eleições legislativas em Israel, marcadas para terça-feira, num cenário de tensões acentuadas no território palestiniano ocupado pelos israelitas desde 1967.
A cidade de Hebron está dividida em dois setores: um controlado pelas autoridades palestinianas e outro — onde vivem colonos, dentro da própria cidade — sob controlo do exército.
Um "ataque de grande escala" foi evitado, destacou Netanyahu, segundo um comunicado do seu gabinete.
Netanyahu ordenou ao seu partido, o Likud, que cancelasse todos os eventos previstos para hoje.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir — outra figura de extrema-direita e defensor do reforço do controlo de Israel sobre a Cisjordânia — também defendeu uma postura mais dura contra a Autoridade Palestiniana.
"Não se deve esperar que um 07 de outubro aconteça [na Cisjordânia]. É lá que vai eclodir a próxima guerra", declarou Ben Gvir, que esteve no local.
A autoria do ataque não foi reivindicada de imediato. Num comunicado, o movimento islamita palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza, classificou a ação como uma "operação heroica", sem, no entanto, assumir a responsabilidade pela mesma.
Netanyahu, por sua vez, jurou caçar todos os membros do movimento islamita palestiniano, "em qualquer lugar e a qualquer hora".
Segundo o Magen David Adom, equivalente israelita da Cruz Vermelha, dois dos cinco feridos no ataque encontram-se em estado crítico. Três deles foram levados para um hospital em Jerusalém, segundo os meios de comunicação israelitas.
Desde o ataque do grupo palestiniano Hamas em Israel, em 07 de outubro de 2023 — que desencadeou a guerra em Gaza —, a violência disparou na Cisjordânia ocupada.
Pelo menos 1.113 palestinianos foram mortos na região desde outubro de 2023, a maioria por soldados israelitas, segundo um levantamento da AFP baseado em dados do Ministério da Saúde palestiniano. Entre eles, a ONU registou 37 pessoas mortas por colonos.
Nas últimas semanas, os colonos têm intensificado os ataques — alguns deles fatais — contra os palestinianos e as suas propriedades, aproveitando o período da apanha da azeitona, que está em curso.
Segundo dados israelitas, pelo menos 49 israelitas foram mortos no mesmo período, a maioria em ataques palestinianos, mas também durante operações militares israelitas.