Na Sérvia, Vucic e estudantes confrontam-se nas eleições antecipadas
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Os eleitores sérvios votam no domingo para escolher o próximo governo do país, confrontados com a continuidade do ex-presidente nacionalista Aleksandar Vucic ou uma candidatura lançada por estudantes após protestos anti-corrupção e autoritarismo.
As eleições legislativas estavam inicialmente previstas para dezembro de 2027, mas foram antecipadas na sequência de manifestações massivas lideradas por estudantes, frequentemente reprimidas com violência, desencadeadas por um acidente numa estação ferroviária em Novi Sad, que causou 16 mortos em 2024.
Vucic, 56 anos, demitiu-se da presidência no final de setembro para concorrer agora ao lugar de primeiro-ministro, cargo que já tinha ocupado entre 2014 e 2017, ano em que foi eleito presidente. O seu Partido Progressista Sérvio (SNS, na sigla original) venceu as legislativas de 2023 com maioria absoluta.
Foi também ministro da Informação (1998-2000) sob o regime autoritário de Slobodan Milosevic, embora mais tarde tenha evoluído para posições mais pró-europeias e moderadas.
No entanto, nos últimos anos voltou a ser mais nacionalista e tem-se distanciado da União Europeia (UE), ao mesmo tempo que se mostra próximo da Rússia, da China e dos Estados Unidos de Donald Trump.
Controla grande parte da imprensa e do aparelho do Estado e organizações não-governamentais (ONG) e meios de comunicação social independentes denunciam limitações à liberdade de imprensa e liberdades individuais.
Vucic apresenta-se como o único capaz de garantir a estabilidade, chamando traidores aos seus opositores.
Na quarta-feira, encerrou a campanha eleitoral com um discurso marcadamente nacionalista, ao insistir que o Kosovo "é parte da Sérvia", além de prometer grandes melhorias económicas.
A estas eleições concorrem um total de 18 formações, mas a "Lista de Estudantes – Os Estudantes Ganham" representa a ameaça mais séria desde que Vucic chegou ao poder e algumas sondagens recentes dão uma vantagem a esta formação nas intenções de voto.
O movimento nasceu dos protestos de rua que exigiam explicações para o acidente de Novi Sad, ocorrido no início de novembro de 2024, mas que evoluíram para grandes mobilizações a exigir eleições antecipadas e a denunciar a corrupção e autoritarismo de que acusam Vucic.
Sem líderes nem ideologia clara, a Lista de Estudantes apresenta um programa minimalista para construir "um Estado renovado ao serviço de todos os cidadãos" e um lema - "Máfia ou Sérvia" -, que traduz o objetivo único: afastar Aleksandar Vucic do poder.
Concorre com uma lista de 250 pessoas – nenhuma delas estudantes -, eleitos por um complexo processo em assembleia. Entre os candidatos, há professores, médicos, artistas, economistas, ativistas pelo meio ambiente ou sociólogos, todos com um traço comum: sem experiência nem militância política.
Desconhece-se quem será o candidato a primeiro-ministro.
A campanha tem sido marcada por irregularidades e suspeitas de fraude, denunciou a ONG sérvia Centro de Pesquisa, Transparência e Responsabilidade (CRTA), como restrições ao voto no estrangeiro, espionagem da oposição, campanhas difamatórias nos media, coerção e compra de votos a funcionários públicos e dúvidas sobre um caderno eleitoral inflacionado.
Observadores internacionais da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e do Parlamento Europeu vão acompanhar o ato eleitoral do próximo domingo e já avisaram que as irregularidades observadas em eleições anteriores permanecem por resolver.
Apesar de a Sérvia ser oficialmente candidata à adesão à UE desde 2012, o processo não tem tido grandes evoluções, com Bruxelas a advertir Belgrado contra a aproximação a Moscovo – Vucic recusa, por exemplo, impor sanções à Rússia – e a manifestar preocupações sobre o respeito pelo Estado de Direito, nomeadamente a liberdade de imprensa.
A difícil relação com o Kosovo, antiga província sérvia que declarou independência em 2008, mas que Belgrado não reconhece, tem sido outro obstáculo no processo de adesão ao bloco europeu.
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