Presidente do IHRU: "Aceito não ter sido feliz em todas as expressões"

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                    Presidente do IHRU:
Presidente do IHRU: "Aceito não ter sido feliz em todas as expressões" (Foto: Reprodução)

O presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Pereira, admitiu, esta sexta-feira, que as suas declarações de quinta-feira sobre o sacrifício dos jovens para comprar casa não foram felizes. O esclarecimento surge depois do pedido de esclarecimentos do ministro Miguel Pinto Luz. 

 

"Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor, colocando ao serviço dos portugueses a minha experiência profissional e política adquirida ao longo de anos de trabalho e de serviço público", pode ler-se na nota enviada às redações.

No comunicado, o responsável pelo IHRU diz que, "na sequência das minhas declarações de ontem à imprensa, aquando do evento da Gaiurb, 'Desenhar o Território', e face à dimensão mediática que alcançaram, urge prestar um esclarecimento sobre as mesmas". 

"Em momento algum disse que os jovens não tinham dificuldades ou que não estavam a sofrer consequências com a carência de habitação. O que fiz foi um paralelismo com o passado, evidenciando através de um exemplo pessoal, que a habitação sempre foi um problema neste país e que os portugueses sempre valorizaram e se sacrificaram muito para poderem ter uma habitação própria. Quando digo que se sacrificaram, é com tristeza que o constato, e não com algum tipo de saudosismo. Como é evidente, não se pode exigir aos jovens de hoje os sacrifícios de outrora, o que significaria que nada tínhamos conseguido melhorar em mais de 50 anos de democracia", pode ler-se. 

Comprar casa? "O meu pai emigrou". Presidente do IHRU gera polémica

As declarações do presidente do IHRU, Benjamim Pereira, a questionar os sacrifícios dos jovens para comprar casa estão a gerar polémica, com reações de partidos políticos e estudantes que consideraram as declarações "profundamente infelizes".

Beatriz Vasconcelos com Lusa | 06:47 - 23/10/2026

Benjamim Pereira sublinha que "não foi também referido nas inúmeras notícias o respeito que referi ter pelo direito de manifestação e a compreensão que expressei pelas exigências dos manifestantes".

"Muito menos aludi, em momento algum, à emigração. Muito pelo contrário, não tivesse eu sofrido na pele a ausência dos familiares, exatamente nesse contexto de exigência que os forçou a sair. Os nossos jovens fazem-nos muita falta, são desejados e têm sido permanentemente convidados a ficar, assim como outros que outrora saíram têm sido convidados a regressar", acrescentou.

Além disso, considera que o IHRU tem "feito um esforço gigantesco para lutar precisamente contra este flagelo da carência habitacional, e os seus trabalhadores têm sido inexcedíveis. Prova disso foi a superação das metas do PRR, onde atingimos os 31.700 fogos, permitindo um integral aproveitamento dos fundos comunitários para o nosso país. 

Pinto Luz considerou "infelizes" as declarações do presidente do IHRU

O esclarecimento de Benjamim Pereira surge depois de o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, ter considerado infelizes as declarações do presidente do IHRU sobre os jovens e o problema da habitação e disse já ter pedido explicações. 

Numa entrevista ao Jornal Nacional da TVI na quinta-feira à noite, Pinto Luz reagia às declarações do presidente do IHRU, Benjamim Pereira, que criticou a capacidade de sacrifício dos jovens, lembrando que as gerações anteriores emigraram para ter habitação.

"Sou de uma geração que gosto pouco que me venham dizer no meu tempo é que era", afirmou Pinto Luz, acrescentado: "Não me revejo nessas declarações.

O ministro recusou retirar confiança política "em direto" na televisão, mas disse já ter pedido explicações ao IHRU. "Assumo politicamente e publicamente que não me revejo, são declarações infelizes. Absolutamente infelizes", frisou.

Numa sessão sobre a proposta do Plano Diretor Municipal de Gaia, na quinta-feira, Benjamim Pereira disse não saber se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício da anterior, recordando que os próprios avós e o pai emigraram para ter uma casa.

"Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida", afirmou o responsável do IHRU.

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, e questionado sobre se a geração atual está a ter menos sacrifício do que a geração anterior, o presidente do instituto disse não querer ir "por esse caminho".

Perante as questões dos jornalistas sobre se os jovens também devem emigrar, insistiu que não estava "a dizer isso".

Pedindo para "concluir o raciocínio", Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram "porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje".

[Notícia atualizada às 10h43]

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